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Crítica: Os Cavaleiros do Zodíaco – Saint Seiya: O Começo

Filme acaba desagradando os fãs por não saber qual público quer atingir.

Foto: Divulgação

O filme “Os Cavaleiros do Zodíaco – Saint Seiya: O Começo” é mais uma tentativa de conquista do grande público do cinema com uma adaptação de anime para o live action. O filme estreou no Brasil em 27 de abril de 2023 no top 3 da bilheteria brasileira, mas segundo o site Box Office Mojo, o filme acumula em duas semanas de exibição apenas US$ 4,4 milhões de dólares no mercado internacional, o que levanta alguns questionamentos, como escolhas feitas pela parceria entre a Sony Pictures e a Toei Animation, detentora dos direitos dos cavaleiros.

Esta é a quinta tentativa dos Cavaleiros do Zodíaco nos cinemas, sendo a primeira no formato com atores reais. O filme conta com grandes nomes no elenco como Sean Bean (Senhor dos Anéis) e Famke Janssen (X-men), além de uma maioria de elenco de origem nipo-americano, como o protagonista Mackenyu Arata (Rurouni Kenshin Saishūshō: The Final).

 

Nostalgia

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Saint Seiya é o título de um mangá criado por Masami Kurumada em 1985 que ganhou grande popularidade fora do Japão. A obra ganhou um anime pelas mãos da Toei Animation que conquistou o ocidente a partir de 86, em especial, a França e o Brasil, onde ficaram conhecidos pelo título de “Os Cavaleiros do Zodíaco”. No Brasil, o anime fez parte da leva de material nipônico trazido pela finada TV Manchete, que popularizou a cultura do anime e da dublagem, fazendo do anime, uma referência, criando uma verdadeira cultura de animes no país.

Durante muito tempo, Cavaleiros do Zodíaco se manteve pela nostalgia dos fãs mais antigos e falhou ao tentar inovar e conquistar novos fãs, o que fez com que esses fãs ansiassem por conteúdo de qualidade da franquia. Houve até tentativas de adaptação da história no modelo 3D, tanto em serviços de streaming quanto nos cinemas, o que também não resultou em uma experiência positiva. Não é que Cavaleiros sumiu do mercado. Apenas deixou de conversar com os fãs mais antigos e seguiu por novos caminhos tanto no anime quanto no mangá, mas sempre apoiado na nostalgia.

O anúncio de que a obra mais famosa de Kurumada seria transportada para o live action atiçou a mente de fãs em todo mundo. E o fato de que a Sony consultou Kurumada e seguiu conceitos apontados por ele desde o início do mangá pendiam a favor do novo filme. Portanto, não é difícil imaginar que os fãs mais fervorosos, que se importam com a franquia, viram suas expectativas baixarem muito entre o anúncio da produção e a divulgação das primeiras imagens da produção.

 

Um começo morno

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O filme “Os Cavaleiros do Zodíaco – Saint Seiya: O Começo” se inicia de forma bastante interessante e consegue prender a atenção do expectador com cenas de ação bem coreografadas, ainda que o CGI apresente qualidade duvidosa, e o elenco selecionado não deixa a desejar: Mackenyu Arata entrega um Seiya de Pegasus diferente do anime clássico e mais próximo ao do mangá, sendo sério quando o roteiro precisa e engraçado e até mesmo ácido nos momentos certos. Madison Iseman também está muito bem no papel de Saori Kido e Famke Jansen surpreende ao trazer uma nova versão de Vendal Guraad, vilão puxado diretamente da animação em 3D “Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco”, da Netflix. O vilão ganhou mais relevância e profundidade ao ter seu gênero modificado e tornar-se a “mãe” de Atena, uma motivação mais coerente ao personagem.

As coisas começam a jogar contra o filme quando o roteiro começa a oscilar entre as novidades e liberdades criativas tomadas e as referências à obra em que se inspira. Os maiores acertos estão na relevância dada a personagens secundários, como Mitsumasa Kido, que no original, serviu apenas para introduzir Atena e os Cavaleiros de Bronze, e no filme de 2023 tem sua relação  expandida com Seiya, e Tatsumi, o alivio cômico e guardião legal de Atena, que se mostra mais sério e baddass.

Os acertos, porém, não são o suficiente para salvar “Os Cavaleiros do Zodíaco – Saint Seiya: O Começo”. O filme tenta inovar demais e se perde: as coreografias são muito bem-feitas, porém repletas de CGIs em momentos desnecessários; os designs das armaduras fogem muito da expectativa dos fãs, tentando embarcar em uma onda realista, como se o filme sentisse vergonha da obra original. Isso fica mais evidente quando os personagens desferem seus golpes sem declará-los, como ocorre no anime e no mangá. O estranhamento com as armaduras fica ainda mais evidente com tão poucas armaduras mostradas. A armadura de Marin é que a mais lembra a original enquanto a armadura de Pegasus, do protagonista, é muito diferente tanto do mangá quanto do anime. 

 

Mais mudanças

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É Inegável que grande parte dos problemas de “O Começo” está no roteiro. A relação de Seiya e Saori parece forçada e apressada. Vemos o local de treinamento de Seiya, ficando subentendido que o Santuário poderia ser ali, mas sem menções diretas. Em dado momento, Seiya se mostra surpreso com a velocidade de Marin, mas não faz qualquer menção ao motivo da personagem usar máscara – algo que o público que não conhece Saint Seiya sequer deve ter entendido. Marin, aliás, é a única a trajar uma armadura de prata, sem explicações de quantos cavaleiros são ao todo. 

Há também mudanças nos personagens que não fazem sentido algum: Tatsumi é chamado de Mylock, Saori virou Sienna, Mitsumasa Kido virou Alman e Ikki virou Nero, felizmente algo ignorado em muitos casos como o da dublagem brasileira. As mudanças em Ikki, porém, são mais profundas. Ele não tem suas motivações exploradas e é um personagem genérico e sem carisma enquanto Cassius virou um lutador clandestino com obsessão por Seiya – duas mudanças que novamente encontram motivação na vergonha da obra original.

Por fim, o áudio é algo que precisa ser mencionado. Se a dublagem acertou em manter nomes originais, o mesmo não se pode dizer da escolha de elenco. Os dubladores clássicos dão lugar àqueles da série da Netflix, o que pode desagradar uma parcela dos fãs. Quem também não foi escalado foi a trilha sonora de Cavaleiros do Zodíaco. Aqui, ela é quase inexistente, aparecendo apenas em uma versão instrumental e sem vida de Pegasus Fantasy. 


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Cavaleiros do Zodíaco – Saint Seiya: O Começo possui o coração no lugar certo, mas peca ao executar e ao não escolher seu público alvo. Deixa pontas para uma sequência e a esperança para que haja oportunidade em corrigir seus erros. 

Nota: 2 plugs de 5.

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